Juventude invisível? 

ZENIT - O mundo visto de Roma


Juventude invisível?

Entrevista com Mary Ann Glendon, presidente da Academia Pontifícia de Ciências Sociais

ROMA, terça-feira, 2 de maio de 2006 (ZENIT.org).- A Academia Pontifícia de Ciências Sociais encerrou esta terça-feira sua reunião plenária com o tema «Juventude que desaparece? Solidariedade com as crianças e os jovens em uma época turbulenta».

A presidente da Academia, catedrática de Direito na Universidade de Harvard, Mary Ann Glendon, fez um balanço com Zenit dos objetivos deste encontro.

--Qual era o primeiro objetivo de sua assembléia?

--Glendon: No primeiro dia tivemos o que poderíamos chamar de discursos introdutórios «chave». O primeiro foi do cardeal López Trujillo, que expôs a experiência do Conselho Pontifício da Família, mencionando as questões que tem nas mãos.

Seguiu Cherie Booth (a esposa do primeiro-ministro britânico Tony Blair, ndr.), uma grande advogada especializada em direitos humanos e mãe de quatro filhos, que fez uma exposição dos desafios não só enfrentados pelas crianças, mas também pelos adultos, e do modo como os adultos relacionam-se com elas.

Penso que todos coincidiram em que foi um discurso muito inspirador e esperançado, e que ambos discursos deram o tom e o marco para os próximos cinco dias, nos que ouviríamos informes regionais de cada continente. Estes são informes verdadeiramente detalhados sobre a situação das crianças.

--Qual é a principal expectativa e objetivo deste encontro?

--Glendon: O objetivo da Academia é fazer avançar as ciências sociais e dar à Igreja elementos que possa usar para adaptar sua doutrina social às constantes mudanças dos acontecimentos.

Justo agora estamos vivendo um período de transtorno demográfico, de globalização que perturbou tantas expectativas econômicas, uma grande lacuna entre ricos e pobres e uma situação na qual os que vivem na pobreza são em sua maioria mães e crianças.

--Tais grupos podem com freqüência ser passados por alto. Pensa que é importante que os líderes mundiais estejam em sintonia com a doutrina social da Igreja, quando se fala de paternidade ou direitos das crianças?

--Glendon: Há vozes que estão desaparecendo do debate principal sobre estas questões.

O título da plenária é «Juventude que desaparece?». Entre outras coisas, alude ao fato de que na medida em que as taxas de natalidade declinam --e isto sucede inclusive nos países em vias de desenvolvimento--, as crianças fazem-se menos visíveis e as vozes de quem fala por elas também são mais fracas.

De maneira que a Igreja Católica é capaz de fazer o que a doutrina social ajuda-nos a fazer, que é tentar dar aos que fazem as políticas recursos para que a voz dos sem voz chegue aos debates, assim como os grandes temas da solidariedade e da subsidiariedade, e que a pessoa humana continue estando no centro de suas preocupações.

--E o que podemos esperar ao final?

--Glendon: Houve coisas estupendas nos debates, estamos aqui para aprender.