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O início da Quaresma, nesta Quarta-feira de
Cinzas, serviu para que Bento XVI lançasse um novo apelo aos católicos
de todo o mundo, em favor dos mais necessitados, convidando a Igreja a "olhar
com novos olhos os irmãos e as suas necessidades".
O Papa pediu "uma partilha dos dons recebidos com os irmãos" e a atenção
"para com as necessidades dos mais pobres e abandonados".
A Quaresma, disse, é um "momento favorável para converter-se ao amor".
Bento XVI marcou, assim, o começo do "itinerário de 40 dias que nos
levará ao Tríduo Pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do
Senhor, coração do mistério da nossa salvação".
Durante a sua catequese, na audiência geral de hoje, o Papa citou
palavras da sua Mensagem para a Quaresma de 2006 (ver "Apelos do Papa")
aos cerca de 12 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro,
manifestando-se contra a indiferença e o egoísmo.
"À vista dos tremendos desafios da pobreza de grande parte da humanidade,
a indiferença e a encerramento no próprio egoísmo apresentam-se em
contraste intolerável com o 'olhar' de Cristo", repetiu o Papa,
acrescentando que "o jejum e a esmola, juntamente com a oração, que a
Igreja propõe de modo especial no período da Quaresma, são uma ocasião
propícia para nos conformarmos àquele 'olhar'". Apelando à penitência e
à oração, Bento XVI concluiu que "o verdadeiro programa da Quaresma é
ouvir a Palavra de Deus, que é a palavra de vida".
Na saudação aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa deixou votos de
uma "boa e frutuosa Quaresma para vós, vossas famílias e comunidades
cristãs".
"A Virgem Maria – modelo de escuta atenta e adesão fiel à vontade de
Deus – vos tome pela mão e acompanhe durante os próximos quarenta dias
que servem para vos transformar no Senhor Ressuscitado", apontou.
Na próxima semana não haverá audiência geral, dado que no dia 5 de Março
iniciam-se, os exercícios espirituais do Papa e da Cúria Romana,
orientados pelo Cardeal Marco Cè, Patriarca emérito de Veneza. Durante
essa semana são suspensos todos os compromissos de Bento XVI.
Apelos do Papa
Na Mensagem para a Quaresma deste ano, Bento XVI apela àqueles que
governam e têm nas mãos o poder econômico e financeiro para que "promovam
um desenvolvimento baseado no respeito da dignidade de cada homem".
O tema escolhido por Bento XVI na Mensagem para a Quaresma é baseado
numa passagem do Evangelho de São Mateus: "Jesus, ao ver as multidões,
encheu-Se de compaixão por elas", para convidar os cristãos de todo o
mundo a experimentar a caridade.
Neste sentido, na Mensagem salienta que "os cristãos deverão aprender
também a avaliar com sabedoria os programas de que quem os governa",
sublinha a liberdade religiosa, "entendida, como possibilidade não
simplesmente de anunciar e celebrar Cristo, mas de contribuir também
para a edificação de um mundo animado pela caridade".
"A Quaresma – escreve o Papa – é o tempo privilegiado de peregrinação
interior em direção Àquele que é a fonte da misericórdia". Uma
peregrinação que "Ele próprio nos acompanha através do deserto na nossa
probreza". Bento XVI convida, ainda, nesta Mensagem, os fieis de todo o
mundo para que se preparem para a Páscoa com um "empenho vivo e urgente
para com os pobres do mundo", porque, afirma, "a primeira contribuição
que a Igreja oferece para o desenvolvimento do homem e dos povos não se
consubstancia em meios materiais nem em soluções técnicas, mas no
anúncio da verdade de Cristo que educa as consciências e ensina a
autêntica dignidade da pessoa e do trabalho, promovendo a formação de
uma cultura que corresponda verdadeiramente a todas as exigências do
homem", acentua o Papa.
Fonte: Agência Ecclesia
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