Data de publicação: 2006-07-12
«Fátima é um local de Deus», diz cardeal Stafford
Penitenciário-Mor da Igreja preside à Peregrinação Aniversária de Julho
FÁTIMA, quarta-feira, 12 de julho de 2006 (ZENIT.org).-
O cardeal James Francis Stafford, penitenciário-mor da Penitenciaria
Apostólica preside, a 12 e 13 de julho, à Peregrinação Internacional
Aniversária de Julho, celebrativa dos 89 anos da terceira aparição de Nossa
Senhora em Fátima, a 13 de Julho de 1917. O tema da peregrinação é «Crescei
e multiplicai-vos».
Em entrevista à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, ao final da manhã
desta quarta-feira, o cardeal sublinhou a alegria por estar de novo, pela
terceira vez, em visita a este Santuário mariano.
Para ele, «Fátima é um dos mais privilegiados locais do mundo porque fala
dos homens e das suas necessidades da misericórdia de Deus. Fátima é acima
de tudo um lugar de espiritualidade, um lugar de Deus, mas, para aceitar a
misericórdia de Deus, os devotos sabem que devem converter-se e praticar a
penitência» e é aí, considera este cardeal norte-americano, que reside a
força da mensagem de Fátima, neste apelo à conversão.
«A mensagem de Fátima é vivida pelos peregrinos portugueses, e também sei
que pelos italianos. Eles compreendem, estão realísticos do sofrimento, das
situações graves do mundo. Conhecem-se e sabem que têm necessidade de Deus e
de pedir perdão a Deus, com atos de reconciliação e penitência. Eles ouvem e
reconhecem que a mensagem de Fátima lhes fala sobre a sua identidade como
pessoas e como pecadores», refere o cardeal Stafford, que visitou Fátima
pela primeira vez em 1955, era ainda um jovem seminarista.
Após a primeira visita a Fátima, D. James Stafford regressaria a este
Santuário em 2003, já como cardeal, mas na qualidade de presidente do
Conselho Pontifício para os Leigos, onde presidiu à Peregrinação
Internacional Aniversária de Julho.
Questionado sobre a atualidade da mensagem de Fátima, o cardeal Stafford
considera que esta se mantém atual porque «este novo século se mantém irreal,
é um mundo sem a verdadeira resolução dos conflitos. Não tendo conseguido o
mundo verdadeiro, o homem criou e cria o mundo dos sonhos, um mundo onde o
homem julga que pode criar a sua verdadeira felicidade, sem Deus. Os
peregrinos sabem que é preciso combater esta essência da secularização, que
é perigosíssima».
«Maria, Nossa Senhora de Fátima é hodigatria, é quem aponta o caminho, é o
caminho que nos leva a Jesus», acrescenta.
D. Francis Stafford presidi à Eucaristia desta noite, às 22h30. Para a
homilia, o cardeal James Stafford prepara uma reflexão sobre o tema anual
proposto pelo Santuário de Fátima aos peregrinos «Guardar Castidade».
«O imperativo da secularização (no tema da castidade) é afirmar que a Igreja
quer o sofrimento e a repressão, mas a Igreja insiste que é baseada na
ressurreição do corpo que a castidade deve ser pensada. Só nas comunidades
de fé se acredita que a ressurreição é possível pela pureza, pela castidade,
pelo respeito pela pessoa humana».
A sexualidade deve ser pensada no sentido da purificação do ser e não,
considera o cardeal, como «manipulação dos outros para próprio prazer».
«O grande desafio da Europa é o desafio da socialização, em que homens e
mulheres são pais e mães, aceitam a responsabilidade pela sua sexualidade,
que tem como fim fazer nascer uma criança, e tudo aquilo que uma criança
implica: amor, responsabilidade e estabilidade», refere D. James Francis
Stafford.
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